Angola deve preparar-se para diversificar a sua moeda de troca e pagamentos nos acordos e empréstimos que contrai, para não correr o risco de se encurralar com o seu único produto, o petróleo, defende o economista Lopes Raul.
Convidado do espaço grande entrevista da Voz América, o economista angolano, disse que Angola encontrou no parceiro chinês o conforto para realizar projectos que tinha em carteira e que não recebia o aval dos tradicionais doadores do Club de Paris, mesmo depois de pagar a dÃvida, o grande senão está na moeda de troca ou seja no petróleo.
«Se por um lado a China nos garante financiamento a longo prazo e com juros baixos, por outro Angola compromete-se a resolver os problemas energéticos do parceiro com o fornecimento de petróleo, simplesmente, e um risco e urgente mudar a estratégia», diz o economista.
«Precisamos olhar com uma grande estratégia concertada para que Angola não venha a viver um colapso nos próximos tempos, porque nesta relação com a China, não porque a China nos abriu as portas, escancarou e disse que nos dá-nos dinheiro sempre e quanto quisermos, mas precisamos de ter consciência que receber emprestado é bom mas na hora da devolução é que é o grande problema. Nós temos de ter capacidade de nos endividarmos, capacidade de endividamento significa receber e devolver, e nós estamos a negociar com a China tendo como única moeda de troca petróleo, petróleo e petróleo.»
Para o economista, Angola não dispõem sequer de 50% do seu potencial de riqueza, prendeu-se ao petróleo e ao diamante. A agricultura um forte tradicional está esquecida, o potencial hÃdrico que possui não chega a todo o paÃs nem sequer está a fazer reserva de água.
«Não estamos a ver o que as pescas nos da potencialmente, não estamos a explorar o potencial que o mar nos oferece, não estamos a explorar o potencial que agricultura nos oferece, não estamos a explorar o potencial hÃdrico, não estamos a explorar os nossos recursos em 50, 90 nem 100%. Estamos simplesmente a viver do petróleo e negociando com a China, isto é que precisamos de alterar.
Se Angola começar a dispor dos recursos que tem obviamente que nós não teremos problemas de pedir empréstimos aqui e ali, porque teremos realmente uma verdadeira capacidade de endividamento e temos que caminhar para aÃ, porque senão não teremos saÃda no futuro.»
Lopes Raul avança ainda que as regras do mercado mundial são incontornáveis não podendo quem quer seja negociar com potenciais credores nas esquinas, tudo passa pelo Club de Paris, por isso um apelo aos estrategos da economia angolana: diversifiquem a moeda de pagamento.
Já a presidência rotativa de Angola na OPEP é, na visão do economista ,uma grande oportunidade para os angolanos conhecerem melhor a organização por dentro e, se a conjuntura contribuir, apesar da crise mundial, para a subida do preço do crude poderá viver um consulado áureo e que lhe dará visibilidade.