O chefe do Estado Maior General das Forças Armadas Angolanas, general de exército Francisco Pereira Furtado, voltou a desmentir qualquer presença militar de Angola na República Democrática do Congo, que justificasse um recrutamento adicional de jovens no paÃs.
«Não temos qualquer envolvência no conflito nas acções militares que decorrem na parte Leste da República Democrática do Congo.»
Em declarações à rádio estatal angolana, o homem forte das FAA considera especulações todas as informações sobre uma alegada mobilização militar feito à margem da Lei.
«Isto não passa de especulação. São notÃcias que não deixam de ser preocupação das FAA face à sua origem. Nós estamos a acompanhar este tipo de notÃcias que tiveram como ponto de localização, no dia 29 de Dezembro, no Lwena. Oportunamente, tanto ao nÃvel das FAA como da PolÃcia e governo local através de uma rádio local foi lançado um comunicado a desmentir este facto, esta informação de uma suposta mobilização de jovens para as FAA no Lwena. O que é estranho é que decorrido dois dias, esta mesma situação trasladou-se para a cidade de Saurimo, na Lunda-sul, e já com algum carácter de violência, porque já houve inclusivé utilização de objectos contra a viatura do comandante da PolÃcia e outros e houve a necessidade de uma intervenção mais efectiva para estancar este tipo de manifestação. As FAA não precisam de recrutar jovens para qualquer missão de garante da integridade territorial, da soberania, da independência e fazem-no com base na lei de Defesa Nacional e das FAA. Qualquer actividade mobilizativa é feita com base numa lei geral sobre mobilização como também é feita na base de uma preparação prévia com recurso a um despacho de sua excelência ministro da Defesa que orienta esta mobilização.»
O general de quatro estrelas do exército angolano disse não ter qualquer dúvida em como há uma «envolvência polÃtica» na disseminação de tais especulações ao nÃvel da região Leste do paÃs em particular.
«Alguma coisa está por detrás disto. São situações que vêm ocorrendo desde o perÃodo após as eleições, houve uma situação registada em Outubro no municÃpio do Kuango, na localidade de Cafunfo, na Lunda-Norte com alguma envolvência de alguns partidos polÃticos que durante a campanha eleitoral deram como garantia a liberalização generalizada do garimpo caso estes partidos ganhassem as eleições. Isto tem alguns contornos que perigam a segurança nacional e estamos preocupados com isto.»
Uma fonte independente contactada esta terça-feira pela Voz da América, em Luanda, admitiu que suspeitas de infiltração no paÃs de facções separatistas da República Democrática do Congo podiam estar na origem do ajuntamento de jovens.
Para a fonte, a medida terá sido ordenada por Luanda visando essencialmente impedir qualquer tentativa de penetração de pessoas «com tendência separatista» para desestabilizar a RDC, a partir de Angola, à exemplo do que aconteceu nos anos setenta com o grupo de catangueses, liderados por Nataniel Mbumba.