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MORREU A LÃ?DER DO PLD

07/01/09

Morreu esta madrugada, no Centro Oncológico de Lisboa, a presidente do Partido Liberal Democrático (PLD), Anália de Vitória Pereira, vítima de cancro, como anuncia sua única filha Alexandra Simeão.
Segundo Alexandra Simeão, sua mãe lutou contra o cancro que a apoquentava havia anos, mas mesmo doente entrou na corrida eleitoral, seu último grande esforço político, porém às primeiras horas de hoje Anália Vitória Pereira foi vencida e morreu.
«Infelizmente a mãe tinha há já algum tempo um problema oncológico. Felizmente era uma mulher lutadora e conseguiu fazer uma campanha e estar junto de todas as pessoas que ela gostava este tempo todo. Mas infelizmente esta madrugada, eram duas da manhã em Lisboa três em Angola, o quadro agravou-se e ela infelizmente faleceu.»
Em Luanda, a notícia correu feito rastilho de pólvora, políticos, amigos, camaradas e companheiros de mais de 16 anos de actividade parlamentar reagiram pesarosos ao anúncio do desaparecimento da mulher líder que com eles trilhou o caminho da nascente democracia angolana.
O secretário-geral da Frente para a Democracia (FpD), Luís Nascimento, diz que Angola perde uma grande mulher.
«Não há dúvidas que se perdeu uma grande mulher, uma grande política, uma lutadora que ao longo dos tempos, desde 1991, animou bastante a cena política angolana. E, portanto, nos vamos perder a contribuição de uma grande mulher que até nós chamávamos de «mamã coragem». É uma perda bastante grande.»
Para o presidente da Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA), Ngola Kabango, a maneira de homenagear Anália, pelos seus feitos políticos, seria o PLD empenhar-se, envidar todos os esforços no sentido de não só preservar a coesão e unidade internas do partido mas também encontrar um líder ou uma líder digna, capaz de dar continuidade ao trabalho valoroso que ela iniciou no seio do PLD e em prol da democracia em Angola.
«Estou profundamente consternado e neste momento diria mesmo que não tenho palavras para exprimir a minha dor pelo passamento físico de uma amiga, de uma compatriota, de uma companheira de luta pelo triunfo da democracia em Angola. Conheci Anália Pereira em 1991, quando eu regressei do exílio da RDC, e a partir daquela data e até ao nosso último encontro que foi durante a campanha eleitoral e as eleições eu guardo dela boas recordações. Mulher lutadora, mulher que fazia ouvir e bem a sua voz na Assembleia Nacional, onde estou hoje e onde ela estará para sempre ausente, Angola perde uma filha, uma cidadã corajosa e finalmente o PLD perde uma grande líder.»
Anália de Vitória Pereira ou «mamã coragem», líder do Partido Liberal Democrático (PLD), foi a única mulher a concorrer por duas vezes ao posto de primeiro-ministro nas últimas eleições gerais e legislativas angolanas, de 1992 e 5 de Setembro de 2008.
Depois das primeiras eleições gerais em 1992, quando o seu partido conseguiu três assentos na Assembleia Nacional, Anália Pereira tornou-se na primeira mulher a chefiar uma bancada parlamentar em Angola.
Anália de Vitória Pereira é, ainda hoje, conhecida por muitos angolanos apenas por «mamã coragem», apelido que obteve por ser, nos anos 90, a única mulher da �frica líder de um partido político e concorrer às eleições legislativas e presidenciais de Angola.
Sua vida política remonta a 1975. Em Setembro deste mesmo ano, dois meses antes da independência de Angola, Anália de Vitória Pereira deixou Luanda com destino a Lisboa na companhia de sua família.
Em Portugal, ajudou a criar a Liga de Apoio aos Refugiados Angolanos (LARA) e, consequentemente, a criação do estatuto de refugiados políticos, aprovado em Portugal em 1980. Em 1983, a política angolana fundou, em Lisboa, o PLD, com seu falecido marido, Carlos Simeão.
Em 1991 após longos 16 anos de ausência, Anália de Vitória Pereira regressa a Angola, onde legaliza o PLD e concorre nas primeiras eleições multipartidárias em 1992. O seu partido conseguiu três assentos parlamentares e a pasta de vice-ministro da Educação para o Ensino Especial, cargo ocupado pela sua única filha, Alexandra Simeão.
Oriunda do sul de Angola, Anália, que até ao momento da sua morte era presidente do PLD, nasceu em Luanda aos 3 de Outubro de 1941, viúva e politica de profissão deixa uma filha biológica e um filho adoptivo e três netos.
Analia Pereira deixa o seu partido num momento particularmente difícil, pois decorre no Tribunal Constitucional um processo de extinção dos partidos que não alcançaram 0,5% dos votos nas eleições legislativas de 5 de Setembro último, o PLD consta da lista dos partidos a serem sancionados.
Nas últimas eleições, «mamã coragem» e o seu PLD perderam os três assentos e não conseguiram ultrapassar a barreira da despromoção.
Doente, Anália entrou na luta pela caça ao voto, queria dobrar pelo menos o número de lugares alcançados em 1992, uma bancada mais forte com intervenções marcantes, quando em causa estivessem os direitos e interesses do eleitorado, não conseguiu, cansada «mamã coragem» foi vencida pelo cancro e morreu.
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